O processo seletivo pode ser bastante burocrático e exige vários deslocamentos até a empresa. Considerando a quantidade de etapas, é compreensível que alguns candidatos acabem encontrando outras oportunidades enquanto aguardam a próxima fase.
Existe uma divisão bastante clara entre tipos de projetos. Alguns permitem aprendizado e evolução técnica, enquanto outros parecem ter sido preservados como patrimônio histórico da tecnologia. Quem acaba nesses projetos geralmente permanece lá por bastante tempo, contribuindo para a manutenção dessa importante relíquia.
A cultura de urgência é permanente. Praticamente tudo é prioridade máxima e precisa ser entregue “para ontem”. Planejamento, refatoração e qualidade às vezes acabam competindo com a necessidade constante de apagar incêndios.
A liderança parece operar em um plano organizacional um pouco mais elevado que o restante da equipe. Em muitos momentos as decisões chegam prontas, com um nível de confiança quase divino, como se viessem diretamente do Olimpo corporativo. Para os meros mortais mais próximos da execução, às vezes é difícil entender como essas decisões se conectam com a realidade prática do dia a dia.
Quando decisões tomadas nesses planos superiores não produzem exatamente os resultados esperados, existe uma curiosa dinâmica organizacional em que a responsabilidade acaba encontrando novos caminhos e, não raramente, aparece nas costas de quem está executando o trabalho.
Discordar de decisões da liderança nem sempre é visto como uma contribuição saudável para o debate. Em alguns casos, pode resultar em um certo distanciamento organizacional, em que o profissional passa a ser menos ouvido ou acaba descobrindo novas oportunidades dentro da empresa, geralmente em projetos menos disputados.
Promoções e crescimento profissional nem sempre parecem seguir critérios completamente claros. Em alguns momentos, pode dar a impressão de que afinidade pesa tanto quanto, ou mais do que, desempenho técnico e contribuição para o time.
Profissionais que decidem seguir novos caminhos fora da empresa às vezes passam por uma curiosa mudança de percepção interna, quase como se estivessem abandonando uma causa maior.
O trabalho remoto existe, mas parece funcionar mais como um privilégio seletivo do que como uma possibilidade amplamente acessível a todos.